Sexta-feira, 1 de março de 2024
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Por que muitas mulheres não querem mais tomar pílula anticoncepcional?

Principal método contraceptivo utilizado pelas brasileiras é questionado por quem recebeu a prescrição sem conhecer as alternativas a ela

Por que muitas mulheres não querem mais tomar pílula anticoncepcional?

Foto: Pexels

A pílula anticoncepcional é o método contraceptivo mais utilizado pelas brasileiras. Segundo um levantamento feito pela Ipsos/Organon em 2021, ela é a escolha de 58% delas, seguida pelo preservativo, com 43%. Nos últimos anos, porém, um número crescente de pessoas questiona o uso desse medicamento hormonal.

A ginecologista e obstetra Andrea Rebello, que segue a abordagem da ginecologia natural e do parto humanizado, confirma essa percepção: “Muitas mulheres me procuram justamente por não querer usar hormônios”.

A origem da desconfiança

A médica conta que pacientes que na faixa dos 30 ou 40 anos receberam prescrição do anticoncepcional desde a adolescência. Os motivos eram diversos — de cólica a fluxo menstrual irregular, de acne a TPM —, às vezes sem explicação ou apresentação de outras opções.

“Muitas pessoas passaram 15 ou 20 anos tomando anticoncepcional sem questionar, porque o médico falou que tinha que tomar. Agora, estamos caminhando para a outra ponta do espectro. Muitas mulheres não querem usar nada e ficam desconfiadas quando o médico propõe (um tratamento), o que é compreensível”, diz ela.

Esse incômodo e a busca por alternativas tem suas raízes no que ficou conhecido como ginecologia natural. Trata-se de um movimento que busca conectar as mulheres com seus corpos, ciclos e feminilidade. A proposta é resgatar a autoestima feminina, desafiando a visão tradicional da mulher como o sexo frágil.

Em paralelo, a pandemia trouxe à tona o conceito de evidência científica. Indivíduos começaram a questionar se as prescrições médicas, incluindo o uso do anticoncepcional, eram respaldadas por estudos atualizados e sérios. O desejo por autonomia e conhecimento impulsionou muitas pessoas a buscar informações sobre outros métodos contraceptivos.

Outros métodos e sua eficácia

“A pílula não é vilã. O problema é a forma como é utilizada”, diz Andrea Rebello. A ginecologista destaca que, para algumas mulheres, essa ferramenta contraceptiva é eficaz, mas ressalta a importância de apresentar outras opções.

O leque de métodos para evitar a gravidez é variado. Ele inclui injeções, adesivos, anéis, implantes e DIUs. Entre os não hormonais, há camisinha e o DIU de cobre. Já os comportamentais reúnem a observação do ciclo menstrual e até o coito interrompido, com alta taxa de falha.

“O conhecimento é libertador e dá autonomia. A pessoa pode estudar o próprio ciclo para identificar o período fértil e saber quando realmente há risco de engravidar ou não. Ela pode compartilhar essa responsabilidade com o parceiro”, afirma a médica.

O ginecologista Carlos Alberto Politano, membro da Comissão de Planejamento Familiar da Febrasgo, pontua que 65% das gestações não foram programadas ou desejadas no Brasil.

“Isso acontece com certeza porque as pessoas não estão usando métodos efetivos. No consultório, a gente sempre apresenta para as pacientes a importância de usar contraceptivos eficazes. O DIU é muito eficaz. A pílula é eficaz. Daí para baixo, as outras opções, como preservativo, coito interrompido e tabelinha, são pouco eficazes”, diz.

Prós e contras da pílula

Além de evitar a gravidez com segurança, se usada corretamente, o anticoncepcional oferece outros benefícios, como cita o médico da Febrasgo: melhora da pele, alívio de cólicas, redução dos sintomas da TPM e regularização do ciclo menstrual.

Seus efeitos colaterais indesejáveis, por outro lado, também existem. “A pílula pode reduzir a libido, embora a libido seja multifatorial, e afetar o humor. Quem tem predisposição à depressão pode ficar mais deprimida. O anticoncepcional aumenta o risco de trombose e pode causar celulite, retenção de líquido e dificuldade para perder peso. Se a pessoa tem uma questão estética importante, talvez não seja a melhor opção para ela”, aponta Andrea Rebello.

Os dois ginecologistas negam que o contraceptivo aumenta o risco de câncer na mama. “A probabilidade da doença sem uso da pílula é de 4 para 10.000. Com o uso é de é 8 para 10.000. O leigo ou o mal-intencionado pode interpretar que é o dobro, mas ainda assim é um número muito pequeno”, afirma Carlos Alberto Politano.

Para ele, a maior contraindicação do anticoncepcional é o erro na prescrição médica: “O médico precisa ouvir a história clínica da paciente para saber se ela tem indicação de usar a pílula ou não. Se ela tiver, o método é muito bom”.




Marie Claire
 

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